terça-feira, novembro 29, 2005

Quem espera sempre alcança

Clarissa esperou a vida inteira que sua vida fosse grandiosa.

A mãe de Clarissa esperou a vida inteira que a vida de sua filha fosse grandiosa.

O mundo sempre esperou que a vida de Clarissa fosse grandiosa.

Ainda assim, Clarissa só esperava passar de ano.

O pai de Clarissa esperou a vida inteira que a vida de sua filha fosse grandiosa, afinal, ele esperava um retorno moral e financeiro.

Como dizia o ídolo de Clarissa:

VIDAS PEQUENAS NÃO MERECEM FRAMES

E todos esperavam, e esperavam. Esperavam ansiosos, esperavam angustiados e aflitos, e de tanto esperarem, Clarissa decidiu contar o que esperava de seu futuro tão grandioso e magnífico, decidiu contar o que habitava seus sonhos mais sinceros e escondidos.

Clarissa disse de uma só vez, sem rodeios nem sala:

- Quero ser uma vadia drogada. Quero ser grandiosamente uma vadia drogada. Incomensuravelmente vadia, incomensuravelmente drogada. A maior de todas as vadias, a santa das vadias drogadas.

Certamente ninguém esperava sonho tão.....peculiar e egocêntrico se assim pode ser chamado. O fato é que Clarissa sentia que devia ser uma vadia drogada, sentia isso bem dentro de si, vindo de seu âmago, estava em seu destino ser isso e nada mais.

O problema é que Clarissa não conseguiu. Não se sabe bem ao certo como, mas Clarissa acabou sendo desviada de seu tão magnífico destino. Se a culpada foi ela, ou forças maiores que monopolizavam o poder moral, emocional, social ou finaceiro, não se sabe. Só se sabe que a Clarissa não foi permetido alcançar sonho tão grandioso que habitava seu interior de menina.

Clarissa acabou virando analista de sistemas e morreu devido a uma parada cardíaca, proveniente do alto nível de colesterol em seu sangue, cujas culpadas eram as coxinhas vendidas na cantina mal cuidada e sebosa de seu escritório, cinza, normal e nem um pouco grandioso.

Clarissa morreu de vergonha e tédio.

È.....não era o que ninguém esperava. Realmente, foi algo inesperado e ignóbil.

Pobre Clarissa. Foi demais para seu coraçãozinho belo, puro e frondoso.

Quem espera.....sempre alcança.......anh......enh.......uhn......

.....é melhor mudar de assunto.......

quarta-feira, outubro 26, 2005

Vazio muito cheio



Decidiram repensar a brincadeira.

Ela em um canto, ele no outro.
Cada um em um canto de uma sala.
Então eles começavam a atirar flores mortas um na direção do outro na esperança de conseguir atingir algo pelo menos perto do coração.

Eles sabiam o nome um do outro, se conheciam.
Ele conhecia cada parte do corpo dela, ela conhecia cada parte do corpo dele.
Mas ainda assim parecia que faltava alguma coisa. Eles eram completos estranhos quando suas bocas ficavam livres.
Passavam tardes e tardes meio atordoados pelo efeito do líquido que era produzido quando os dois estavam juntos.

Mandavam bilhetinhos, trocavam mensagens e cartas, mesmo assim não se sentiam perto o bastante.
Havia um bonequinho intermediário, ela depositava todos os pensamentos dentro dele, depois ele tentava ouvir, mas o brinquedo confundia tudo.

A timidez dela era o câncer dele.

Então o tempo foi passando, as flores mortas, o líquido, o bonequinho, as mensagens, tudo isso foi criando uma sensação familiar, uma coisa a que os dois já estavam acostumados.

Ele não podia viver sem o vazio dela, ela não podia viver sem o vazio dele.
Ele não podia viver sem o cheiro dela, ela não podia viver sem o cheiro dele.
Ou o cheiro das flores, eles não sabiam mais, não sabiam diferenciar.

Então ele morreu, assim do nada, ele simplesmente morreu, se foi, morreu.

Ela nunca se sentiu tão vazia, pois agora não havia mais o vazio dele para preencher o seu.
Então ela ficou ali, parada, no canto da sala, esperando, catatônica, esperando que um dia as flores mortas voltassem a ser atiradas, esperando que algum dia algum vazio viesse preencher o seu.

Mas nenhum vazio nunca veio, e ela ficou a esperar para sempre.

E ele morto, batendo do lado de fora do coração dela para poder entrar, mas ela não ouvia, não percebia, estava apenas esperando um vazio que já não estivesse tão cheio.

Ela esperando, ele batendo, ela não ouvindo, ele gritando, ela esperando, ele batendo.

Morto, ele batendo completamente morto. Dentro do coração dela.

Silêncio.

E o que aconteceu?

Acho que não aconteceu nada.

Ele morreu.

terça-feira, outubro 25, 2005

My Monster

Doces, doces, doces, doces.....

HUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHU
DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES
NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA
HORÓSCOPO HORÓSCOPO HORÓSCOPO
UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL
CHOCOOKIES CHOCOOKIES CHOCOOKIES CHOCOOKIES
AMERICANAS AMERICANAS AMERICANAS AMERICANAS

AS SEXTAS FEIRAS DE NOSSAS VIDAS

1979

Lucy in the Sky with Diamonds

DOCES DOCES DOCES, OS DOCES, MEUS DOCES, DO MEU DOCE
DO MEU VASO DOCES DOCES DO MEU DOCE DOCES DOCES
NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA

FALTA DE INSULINA

DOCES

NA PRIMAVERA

NO PONTO

UHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHU

NINGUÉM SE MATE

PORQUE EU GOSTO DE VOCÊS

DOCES DOCES MEU DOCE DOCE TÃO DOCE DOCES DOCES DOCES

Primavera torta

As crianças hoje em dia já bebem, fumam e ouvem rock and roll, urouuu

As crianças hoje em dia já ficam, fazem rodízios e estouram camisinhas, uiui


Veja só como eu sou um ursinho fofinho meu garotinho

C’mon girl, touch my body


As crianças hoje em dia são ultra radicais, descoladas e modernosas, hihi &;-)

E claro que com um pouco de imaturidade disfarçada de boa vontade, hoje em dia tudo pode ser resolvido como se fossemos crianças!

E eu juro que eu não tenho uma arma....

Nós já moramos na terra do nunca......




E a primavera chegou meio tortuosa esse ano
Meio poli cistica
Mas está dando seus frutos....




........ um novelo de lã gigante e impossível de se desenrolar....e que há tantas coisas......tantas.......

........basicamente se você parasse de se preocupar e pirar com tudo isso, se você parasse de pensar a mil por hora, você estaria em paz.......

........mas agora.....acho que de uma certa maneira meu cérebro dormiu....e não estou gostando disso.... quero que ele volte....ou pelo menos morra de uma vez, porque ultimamente, ele só parece uma tv fora do ar.........


Os cacos do copo de ontem ainda estão aqui
E ninguém se digna a juntar
Quantos porcos


Mas o vaso era tão bonito que ela tinha muito medo de quebrar
Era tão bonito, inocente e feliz
Era perfeito
Tão feliz que chegava a lhe dar raiva
Tão bonito, inocente e feliz
Que chegava a lhe dar medo
Ela sabia que ia sujar
Ela sabia que ia estragar
Ela sabia que ia quebrar
Ela tentou não tocar
Mas tocou
Pegou
Tornou seu
Questão de tempo
Ela sempre estragou tudo
Demônio da aparente perfeição



Obrigada Rebeca
Acho que me achei
Sou uma criança nordestina
Pestiada e com fome.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Olha o menino

Olha o menininho correndo entre os túmulos
Olha o menino
Será que ele é cabaço?
Será?
Ele corre corre e não sai
Será que ele é cabaço?
Será?
Olha a Rone chegando
Será que ele é inteiro?
Será?
Olha a bolha

Anjinho anjinho
Por favor não me deixe sozinho
Eu sei que no fundo
Eu sou só mais um fodido

Olha o menino
Será que ele é cabaço?
Será?
Será que ele sabe?
Será?

Ah, sei lá.......as vezes né........vai que, vai que....
Vai que numa dessas o menino ainda sai andandinho....



Estou varrendo, estou varrendo......


Não podia deixar de ser, um pouco de Polaco:

Não podia deixar de ser, um pouco de polaco:

...Dói quando você tem que apertar essa coisinha estúpida
Que você tem que usar apenas uma vez e jogar fora
Onde você coloca? Na lata de lixo, meu caro amigo
Minha timidez afoga o escorrimento dela...

... Uma refeição por dia é uma refeição
E meu coração fez a minha...

... Alguém já usou a palavra aurora boreal
Ela estava atada com correntes e Sam deu uma ajuda no freezer

Ela está apenas cinco semanas atrasada, mas eu nunca consegui ter um encontro
Nunca! Nunca! Nunca!

Se eu tivesse mais... mais oportunidades
Mais chances de lembrar umas coisas
Assim eu não teria tanta pressão sobre minha...
Sobre minha... sobre minha, hã...ah, sobre minha... hã... hã... cabeça

Teríamos muito mais diversidade
E muito mais consistência, muito mais fluxo criativo
Se tivéssemos alguém na escola, um GIT

Geeks in town

......

... Você é pessoalmente responsável por
Varrer do mapa, a avenida inteira
Lavada... como se galões de álcool propílico
Fossem derramados pela avenida e pegassem fogo

Não apenas chumuscou o cabelo, mas deixou-o liso
E então Perry Ellis chegou com sua vassoura
E sua seda... seda...
E ele... ele ergueu uma bela cidade...
Uma cidade de astros

quinta-feira, setembro 29, 2005

Mas hoje eu estou tão feliz porque tenho saúde

Câncer social.....
.....eu sempre saio da maneira mais dramática......
.....se eu parasse de reclamar......
Mas hoje eu estou tão feliz, oh tão feliz, e todos vocês podem ver o sorriso estampado na minha face vermelha.......
Eu vou reprovar, mas estou feliz
Estou feliz porque tenho saúde


Laurinha se achava suicida em certa época de sua vida.

Laurinha estava se sentindo mal por se sentir mal, afinal sua mãe vivia dizendo:
- Pare de fazer drama menina, você tem saúde, tem uma casa, tem as duas pernas e fica aí nessa choradeira, parece que tem sal nos olhos....

Sim, Laurinha começou a se sentir mal por se sentir mal, afinal, ela tinha sua saúdinha, e tanta gente por aí com tantos problemas.

Laurinha havia aprendido nos filmes da Sessão da Tarde que todas as pessoas com algum tipo de problema físico ou mental eram demasiadamente felizes. Eram obrigatoriamente felizes. Se eram cegas e amputadas então, incomensuravelmente felizes.

Laurinha então pensou, como ela, uma menina de classe média, com todas as pernas, todos os braços podia não se sentir bem com o mundo? Ela não tinha o direito de ficar triste pelas pessoas que tinham decidido acabar com suas vidas em um curso da UEPG. Talvez isso fosse bom para elas.

Laurinha precisava de placebo

Laurinha percebeu como era chata toda aquela ladainha chorosa que ela fazia, estava realmente enchendo o saco. Isso não quer dizer que ela parou, afinal, Laurinha era dramática por nascença, ela ainda fazia isso de vez em quando escondida em seu quarto e às vezes, postava em seu blog.

Mas Laurinha decidiu ser feliz

Laurinha pensou em cortar suas pernas e furar seus olhos para tentar ser feliz.

Laurinha arranjou um namorado bem boa praça, o Fergusun

Laurinha apagou de sua cabeça que sua família era uma bosta

Laurinha decidiu ser feliz porque tinha saúde

Que menina Sadia e contente é Laurinha, oh sim, uma menina com todo um futuro pela frente!

Laurinha é realmente uma cidadã do mundo!

Sabiam que ela tem cpf, fez enem e é uma menina muito politizada?

Com certeza Laurinha vai passar no vestibular!

Laurinha é feliz porque tem saúde e um corpo bonito

Eu amo Laurinha

Sou feliz porque tenho saúde e amo Laurinha





Na verdade, eu gosto de Laurinha porque ela ainda tem olhos tristes e suas lágrimas apenas são derramadas quando chove para que ninguém perceba....




Mesmo assim eu sou feliz porque tenho saúde....

quinta-feira, setembro 22, 2005

Malditos ladrões de tempo

...........Estão roubando nosso tempo.............
...........E nós não podemos pega-lo de volta........
...........Não vamos poder comprar nosso tempo de volta..........

Adriele de Alcântara



.....Essas pessoas malvadas.....
.....Estão roubando nosso tempo.....
.....E nós nem deveríamos querer compra-lo de volta porque ele deveria ser direito nosso...
.....Mas será que nem nisso podemos mandar?......

.....E aí vem o quarto ano......

.....Mais tempo para a gente fingir crescer.....

.....Tchau Ronny.....

.....Tchau pessoas estranhas......

.....Tchau......

.....Tenho aula.....

.....Tchau......

.....Estão roubando nosso tempo.......

.....Esses malditos......

.....Malditos ladrões de tempo.........

domingo, setembro 18, 2005


...The rain is here, and you my dear, are still my friend...

quinta-feira, setembro 15, 2005



QUESTIONÁRIO SOCIOECONÔMICO

41) Dos itens abaixo qual é para você o motivo mais importante para se ter um trabalho?

(A) Para ter mais responsabilidade.
(B) Independência financeira.
(C) Adquirir experiência.
(D) Crescer profissionalmente.
(E) Sentir-me útil.
(F) Para fazer amigos, conhecer pessoas.
(G) Não acho importante ter um trabalho.
(H) Para ajudar minha comunidade indígena.


Anh......unh......enh........trabalho?..........anh.............enh............uhn...............

ALTERNATIVA H, ALTERNATIVA H!

Para ajudar minha comunidade indígena!!!
Afinal, tenho três índios em casa!!!!!

Ponta Grossa, Cidade Viva!



Ponta Grossa, um pontinho tão pequenino que no mapa você nem consegue olhar.
Ponta Grossa, menina moça, que alegremente hoje vai aniversariar!

Ponta Grossa, a cidade do barro, do banhado!
Quem sabe a esperança do Brasil não está em Ponta Grossa? Essa cidade tão bonita e maravilhosa e que é praticamente uma favela superdesenvolvida.

Ponta Grossa, falta remédio, mas rodeio não pode faltar!
Ponta Grossa, a cidade do Jocelito e do Parque dos Mamonas!

Ele roubou só 16 mil, tem gente que rouba muito mais!

Ponta Grossa, orgulho de seu povo legalzinho!
Ponta Grossa, falando cantadinho, ui que bonzinho que é esse barzinho!

Eu só tava andandinho, pra Ponta Grossa, que tem um povo tão alegrinho!

Ponta Grossa, de povo bêbado, que honra a München Fest.
Ponta Grossa, cidade da RONE, onde você pode ser espancado a qualquer hora do dia, ou da noite!

Tava correndinho pra Ponta Grossa, onde tem passe livre e é sempre bem animadinho!

Ponta Grossa, cidade hedionda, principalmente sábado a noite.
Ponta Grossa, lá você vê de tudo, até cowboys!

Se você quer abrir um negócio e logo logo com ele acabar, não tem porque procurar, lugar melhor não há do que Ponta Grossa para morar!

Ponta Grossa, cidade viva! Todo mundo chapado no Sexta as Seis!
Ponta Grossa, cidade da procissão! Tão devota que devia até levar um chazão!

Mai como é grande essa Ponta Grossa, crendio im cruiz, jesuis amado, é vila que não acaba mais!

Ponta Grossa, Campos Gerais, pelos prados e colinas você poderá saltitar!
Ponta Grossa, é tanto morro, tanto buraco, tanto sobe e desce, que quase não dá pra agüentar.

Ponta Grossa, ah, bela Ponta Grossa!
Ponta Grossa, o povo não come, mas tem alegria para cantar!

Ponta Grossa, ah, bela Ponta Grossa!

Não vejo a hora de saí daqui e nunca mais voltar.

Fragmentos de uma redação escolar que não deu certo.

...Silêncio no espaço
Hímen quebrando no silêncio de todas as notas
Espaço...

...Tocando uma música apenas para seu corpo. Cada nota, cada suspiro...

...Cheiro. Deleite. De leite. Leite morno, macio, branco e suave...

...Corpo morno, macio, aconchegante, dava vontade de dormir ali para sempre, em cima do peito liso e magro que só um atirador de sonhos podia ter...

...Atirava para todos os lados, para o céu, para o inferno, para dentro de sua cabeça, para dentro do corpo dela e penetrava em todas as suas veias, em todas as suas células, dentro de sua alma. E no final, tudo era lavado com suor...

...A bondade das crianças não podia se quer tira-los dali. Estavam onde queriam, tinham conseguido seu prêmio, e ninguém iria roubar isso deles, ninguém...

...Sem medo de pensar em certo ou errado, ela não seguia mais os conselhos imbecis de seu cérebro chato, pois sim, o cérebro era tão chato que parecia um avô falando, azucrinando sua vida. Seguia apenas seus instintos, fazia o que queria, parou de negar as coisas a si mesma apenas por achar errado. Prazer. Como uma criança, pegava quantos chocolates haviam na caixa, sem pudor, sem medo de parecer gulosa ou inconveniente...

...Estava explodindo em hormônios, desabrochando em desejos...

...Lá estava ele, na cozinha, na sala, em cima de uma montanha, no gramado, no carro, no quarto, em cima da cama dela. Num quarto de motel sujo de quinta, no castelo mais bonito e confortável que já existiu. Ele estava em tudo e ela o amava. Amava com todo o seu corpo e seu sangue. Não podia parar de pensar nele...

...Ela sentia dó. Dó de um. Gostava muito dele. Gostava ainda mais do outro e não podia negar que era em grande quantidade, ele além de dissolver a alma dela todos os dias um pouquinho, a atraía muito. E surgiu outro então. Ah, ele deixava os outros dois obsoletos, ele era um Deus, enquanto os outros dois, não passavam de meros mortais fadados a uma existência insignificante nesse mundinho medíocre...

...Não parecia nem um pouco ameaçador na parte frágil dos sentimentos, parecia não oferecer perigo nenhum de encantamentos, mandingas e amores. Parecia tudo calmo e estável, e essa sensação foi que lhe garantiu o primeiro lugar no pódio de amores impossíveis da garotinha que não conseguia abrir os olhos. Ele era um imã...

...Pensando...

Só começa a chover quando eu coloco os pés para fora de casa, e o guarda-chuva sempre estraga por causa do vento, então eu passo o dia com as roupas molhadas e sujas de barro.

Porque você gosta de mim? E você, porque não gosta? Seria tudo mais fácil se vocês trocassem de lugar. Seria...Perfeito.

Volte semana que vem, vou tomar uma decisão. Vou dar um jeito nisso tudo.

E as portas do ônibus se fecham e todas as pessoas ficam apertadas pela sua própria existência. Todas elas estão indo para algum lugar e é justamente dessa hora que eu mais gosto. É muito bom quando o tempo está apenas passando para você chegar a algum lugar, e já que você está indo, não tem obrigação de fazer nada. A única coisa que você faz é ficar perdido em piras e devaneios até que alguém, ou pior, você, te obrigue a entrar em algum lugar.

Andar com o vento no rosto é sublime. E você dá voltas e voltas pelas mesmas ruas que você passou a vida inteira, sem prestar a mínima atenção nelas, sem nem erguer a cabeça, ou sem dar a mínima importância para o caminho que não vai te levar a lugar nenhum.

Casas tão conhecidas e de uma beleza tão pobre e feia que chegam a ser maravilhosas.

Porque você tem que gostar de mim? E você, por que não? Eu não presto.

Só começa a chover quando eu coloco os pés para fora de casa, porque eu coloquei na cabeça que briguei com Deus e que ele não vai me perdoar até eu admitir que tudo isso é culpa minha, sou eu que dito as regras para as coisas ficarem mais difíceis, e se eu não der uma folga...bem, isso é realmente infantil.

Eu vou arrumar tudo, sim eu vou.

Porque.....você.......

E também vou ganhar um prêmio, muito chocolate, quando aprender a ser menos repetitiva, mais ativa e parar de sonhar enquanto não chego a lugar nenhum, e ainda por cima adorar isso.

Quando eu aprender que é tão medíocre falar da minha própria mediocridade, vou ganhar um Nobel, e então não vai mais chover, e o Deus da minha cabeça, totalmente chapado, vai abrir as portas para a minha festa onde o Simon vai estar tocando guitarra com o Kurt.

Então eu vou saber, toda aquela pira realmente me fez mal.

Por influência de tudo....

Fazia tempo que não fumava daquele jeito, que não esclarecia as idéias, deixando-as mais confusas e ao mesmo tempo com uma profundidade gigantesca.

Podia sentir na espinha as notas das músicas de todas as coisas, podia sentir o bolo tão doce, tão doce que chegava a lhe dar vontade de vomitar, e em seguida comia mais, comia desesperadamente, sentindo profundamente o gosto do bolo como nunca havia sentido antes.

Não eram todas as vezes assim, não, nunca, mas talvez por fazer muito tempo desde a ultima vez isso estivesse acontecendo.

Talvez fosse seu estado de espírito, ultimamente estava com a carcaça bem polida, meio tosca talvez, mas estava com uma boa aparência, carregando destroços por dentro. Era uma crise de identidade gigantesca, não podia negar, aliás, era um vazio existencial gigantesco, talvez isso explicasse tanta fome.

As ruas pareciam leves, muito leves, e o céu, lilás. Era um estado perfeito para ver Peixe Grande, um filme muito indicado por todos, ultimamente, falado por todos. Até em blogs. Diziam que era mágico. O estado perfeito, por mais que não tivesse muita idéia de como o filme era, e não soubesse exatamente por que esse era o estado perfeito.

Pensou em como a vida era estranha, como a vida não parecia a vida afinal, como parecia ser apenas uma historinha, não muito boa, e meio água com açúcar, de outra pessoa.

As vezes era tão dramático e exagerado que chegava a lhe dar nojo.

Um pastel. Um pastel seria bom. Um pastel seria ótimo.

E a medida que ia chegando perto da casa onde a T.V. estava, ia imaginado mais cenas, mais coisas que não aconteciam. Para os outros poderia parecer idiotice ou loucura, mas era muito normal. Tinha essas visões desde muito cedo na vida, e quando estava normal, nem precisava estar naquele estado para isso. Era o poder de não fazer parte de sua própria vida. Ou a maldição.

Auto chapação. Auto?

O prédio que havia destruído sua casa era de um azul jaguara. Tão ridículo, um azulzinho piscina. Isso mesmo, e de repente, olhando para cima e para o prédio, se sentiu dentro de uma piscina gigantesca, sem ninguém para lhe dar atenção, sem poder nadar até a superfície que ficava longe demais. Não estava se afogando. Estava apenas com raiva. Porque a piscina tinha que ser tão funda? E porque ela estava no lugar de sua casa? Nunca iria conseguir sair por cima, mas haviam os lados, haviam as ruas.

A infância parecia ter um cheiro de piscina, um gosto de chocolate, um clima de chuva e a temperatura do sol. Não parecia muito boa, mas por outro lado era genial. Tinha a sensação do abandono misturada com uma alegria espontânea, que simplesmente brotava. Ela dava medo. E sempre dava a impressão de se estar andando nas nuvens. Fora do ar.

O fogo se mistura com água e não apaga, simplesmente por ser mais forte. Ou talvez por ter mais sorte.

Quando a casa com a T.V já estava chegando, de repente, do nada, começaram a jorrar fontes de água colorida de todas as partes do asfalto. Havia, vermelho, marrom, lilás, amarelo, verde. De todas as cores. Ninguém pode para-las. Mas elas não fizeram mal algum. Apenas jogavam para fora o que havia embaixo do chão. Ninguém podia enxerga-las. Apenas uma criança boba e feliz, escondida dentro de uma pessoa atordoada por estar “naquele estado” pensando:

Nada como o primeiro ano. Aquele foi o melhor ano da minha vida.

Vou começar a contar cada vez que alguém me disser isso. Apenas hoje já ouvi isso três vezes.

Peixe Grande. Finalmente. Grande Filme.

Lá fora chove, aqui pinga.

Feliz.
Luz cegando. Música alta e disco rodando ao contrário.
O tempo para.
Não lembra de mais nada.
Flutua.
Acorda do preto no preto, do escuro no escuro.
Não tem luz. Apagaram. Escuro.
Boca, língua, parede, sofá, casa, olho.
Cabelo....
Boca, língua, casa, olho, remédio para dor de estomago.
.........Pernas???..................
Eu conheço esse cabelo.
Só não lembro como vim parar aqui.


Faz quase um ano, e aí está a primavera de novo.
E o título é da senhorita Débora.

Bem, bem, bem...

Vou tentar dar uma arrumada por aqui, enquanto isso vou postar um monte de textos que achei por aí....mas pretendo melhorar um pouquinho isso... Ah droga, o blog é meu, não precisa de nenhuma justificativa.......... sem mais,

Atenciosamente,

Andressa, o demônio

domingo, agosto 14, 2005


Por alguma razão irracional, acabei por voltar aqui. Eu havia prometido que não ia mais fazer isso, não tem sentido, não tem. Mas como comecei, vou terminar

A Janela Secreta

Então o sol nasceu para queimar as últimas promessas de que tudo iria permanecer como havia sido prometido.

Ela iria apenas abrir mais uma porta, ela estava com medo de atravessar, mas acho que agora ela nem se importava mais.

Medo do que iria ser deixado para trás, mas.......

Até a pessoa mais ignorante do mundo sabe que nada dura para sempre, e que sempre, é realmente muito tempo.

Todos estavam zangados e desapontados? Sim, todos, e o que ela podia fazer?

Nada, a não ser admitir.

Todos ultimamente agem como prêmios roubados, e por vontade própria. Tudo culpa da chatice e falta de originalidade do anfitrião.

E sim, ultimamente descobrira que é por pura vontade mesmo, por que eles nem se importam. Na verdade eles já foram roubados há muito tempo, só não lhes foi permitido desaparecer.

Castelos não duram para sempre. Sua era de ouro já terminou.

Estão todos flutuando no nada, flutuando no mercúrio. Dentro de alguns meses os que sobraram já estarão muito longe para serem polidos. Vão tentar descobrir por si mesmos o poder de voar, e quando caírem, não vão sentir dor. Vão descobrir que suas asas foram cortadas há muito tempo, na era de ouro dos castelos, e que na verdade, eles nunca conseguiram sair do chão.

Mas não estou reclamando, não mesmo.

Talvez ela não deva guardar prêmios, nem esperar que eles sejam seus. Saber esperar menos é uma dádiva.

E ela realmente tem chances de estar em uma planície, e sem reclamar.

Basta abrir a janela secreta, que dá para o jardim secreto, que tão logo, não será mais tão secreto assim.

E agora ela realmente sabia o que sua amiga queria dizer com: Ver o Falecido Elfo se indo era como glicose.

Realmente, ver aquele bostinha que ela não conseguia arrancar de si mesma se indo, finalmente, era como glicose. Era como néctar. E o melhor, sem estar com raiva dele, apenas por ter certeza de que ele não iria mais incomodar durante aquelas longas horas que ela passava sozinha.

E ele bebeu de seu próprio néctar, que para ele parecia estar muito amargo. Isso tornou tudo para ela incrivelmente doce, afinal, ela é um ser humano, e não havia como não agir assim. Ele havia sentido aquele gosto amargo que ela tantas vezes teve de fingir não sentir, e isso, não tem preço.

E eles conversaram no final, como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse ficado em haver, por que afinal, aquilo tudo nunca havia existido oficialmente. Conversaram durante alguns segundos infinitos sobre coisas que não importavam, sobre coisas irrelevantes, e deram um beijinho de tchau.

Então todos foram embora sorrindo, até os prêmios, eles escolheram assim. Doía um pouco, mas o que ela podia fazer?

Ela realmente pode tentar estar em uma planície, sem reclamar, é só abrir a janela secreta.

E ela sabia que com o tempo, a morte de todos eles se tornaria um mistério, até mesmo para ela.

A Janela Secreta realmente me ajudou. Não pude deixar de ver, copiar e tentar tornar eterno, pelo menos na minha cabeça.

segunda-feira, julho 18, 2005


I'm an icecube

domingo, julho 17, 2005

Aha

- Aha, então quer dizer mesmo que não sou mais eu não é?
- Não, não mesmo. Você já sabia disso, não se faça de imbecil
- Ah, desculpe, eu estava tentando achar alguma coisa para preencher o vazio, mas só saíram imbecilidades.
- Mas como pode ser tão inútil??
- Bem.....eu não sei......se soubesse não estaria nessa conversa ridícula, e muito menos estaria perguntado isso a você.
- .......unf........
- Mas então, desde quando você acha?
- Acho o que?
- Que não sou mais eu, desde quando?
- Ah, mas quem tem que saber isso é você, trata sobre você, não seja tão dependente.
- Eu não era.
- E porque virou?
- Porque me perdi esqueceu? Não sou mais eu, como você disse.
- E eu posso fazer alguma coisa por você?
- Sei lá.......você tem essa postura tão.....segura, imponente, poderia saber.
- Bem, eu não sei, só sei que isso já virou uma palhaçada.
- É né? Desde a metade do ano passado aumentou.
- Deploravelmente.
- Que merda hein?
- Olha, já ta reclamando de novo, é só isso que você sabe fazer?
- Desculpe, estava tentando me achar.
- E conseguiu?
- Não.
- Puta que o pariu viu. E já pensou se eu posso fazer algo por você?
- Não sei bem ao certo, mas você poderia comprar um sorvete, me deixaria um pouco mais feliz.
- E você iria parar com esse sorriso fingido e abobado que ultimamente usa?
- Juro que vou tentar.
- Ta bom então, vamos até a sorveteria, quem sabe você volta a ser você no caminho.
- Obrigada Simon. Eu vou tentar.
- Do, or do not, there is no try.
- Dãããããr, chazão!!!!!!!
- Como pode??????????????????? Você é mesmo doente.
- Não, não sou mais eu, lembra-se?

domingo, junho 26, 2005

O Elefante Impossível



E aqui estou novamente nessa respeitada instituição de ensino.
Eu cheguei a uma conclusão, trainspotting me ajudou.
Eu posso inventar mil desculpas, eu posso inventar mil motivos...
Todos são mentira.
Apenas desculpas inventadas pela minha cabeça.
Eu não tenho motivo para não ir, eu não tenho nenhum empecilho se analisarmos tudo isso racionalmente.
São todas desculpas inventadas pela minha cabeça, todas, porque talvez eu não queira mesmo ir.
Porque?
Porque eu quero ir para outro lugar, mas para onde eu quero ir, custa muito caro.
Aliás, é praticamente impossível ir para lá, já me disseram que isso é frescura, mas é verdade, é impossível.
Impossível.
Então eu devo mesmo ir para o lugar possível, porque não tenho nenhum motivo racional para não ir.
Mas isso é motivo o bastante?
Não seria muita falta de honra ir para um lugar porque você simplesmente sabe que o outro é impossível?
Talvez o motivo para não ir seja justamente esse.
Desculpa.
Mas se é impossível, não devo ir, então, qual o empecilho?
Talvez eu queira o impossível.
Se é impossível, vá ao possível, não há porque não.
Vá ao possível.
Vou tentar.
Eu gosto do possível.
Eu gosto, eu juro.
Mas e o impossível?
Não.
Esqueça.
É tudo desculpa da minha cabeça.
Mesmo assim, minha alma ama o impossível.

domingo, junho 12, 2005


...Ah, e como recusar o sentimento mais nobre que existe? Mande infinitos
sonhos para seu amor platônico, olhares de fome, horas perdidas,
palavras despedaçadas e um sorrisinho de cortesia, um dia o endereço
vai mudar, e a única diferença vai ser o lugar para onde mandar tudo isso...

Feliz dia dos Namorados e um próspero ano novo. Que todos os seus sonhos se realizem.

Quem inventou o Dia dos Namorados? Essa data comemorativa tão capitalista, respeitada e solene, quanto qualquer outra, carregada com a desculpa do amor?
Amor?
Lembrei do Cássio:
Você acha que alguma pessoa nesse instante no mundo sabe o que é o amor? Ou está amando? De verdade?
É apenas um encantamento, é apenas Libido.

Amor - Afeição profunda; conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual; paixão; entusiasmo; apego; desejo veemente de a possuir, de a gozar.

Carência. O homem ama para não enlouquecer. Acho que tudo isso é psicológico.

Como se livrar de uma merda? Muitas merdas no Dia dos Namorados. Sapólio poderia ser bom. Como se livrar de uma merda que te olha com cara de fome?
Não há como os amores novos para os velhos esquecer.

Ela disse que ia morrer virgem. Agora está com um filho nos braços. Ele está preso a ama-la, um amor incondicional, amor de mãe e filho é incondicional. O sangue puxa. Escravo do amor.

E a carência levou o homem a criar Deus. Não existe maior prova da carência humana e desejo de auto-afirmação do que Deus. Deus te ama, não importa como você seja. Se você não tem um namorado, não fique triste, Deus te ama.

Paixão -Sentimento excessivo; afeto violento; amor ardente; entusiasmo; grande mágoa; cólera; objeto de afeição intensa; vício dominador; parcialidade; alucinação; sofrimento prolongado; o martírio de Cristo ou dos santos martirizados.

Então seria quando você fica com dor de estômago só de pensar que pode encontrar aquela pessoa? Quando você desvia os caminhos para não encontra-lo no corredor?
Love you so much it makes me sick.
Da onde surgiu a necessidade de ser amado?

A adolescência é um período muito turbulento. A melhor coisa a se fazer nessa época é arranjar um namorado – Livrinho de ajuda a adolescentes da mãe da Carol.

Vai, você sabe dirigir?
E onde você vai dormir hoje?
Posso ir junto?
Posso dormir com você?

Amor platônico- diz-se ordinariamente do amor que duas pessoas de sexo diferente têm uma pela outra, quando esse amor é isento de qualquer desejo sensual.

Um bebê diz a outro: tenho sorte por ter te conhecido.
Eu não me importo com o que você pensa a não ser que seja sobre mim.
E é agora minha missão drenar você completamente.
Uma viagem por um longo tubo e ganho sua afeição.
Não deveria esperar você passar.
Você é minha vitamina, da minha boca pra sua.
Eu gosto de você.

O polaquinho tocador é mestre.

Tudo se deve ao cheiro, vários fenômenos cerebrais se iniciam quando você gosta do cheiro de alguém. Mas você não sabe. Não, não é do livro do Grenouille, eu vi isso em um programa da Cultura.

Vamos sair por aí catar algumas estrelas?

Amar é suicídio.

Desculpem qualquer coisa,
Eu amo a todos,
Feliz Dia dos Namorados.

domingo, junho 05, 2005

Lacuna: melhor cadência que espaço

A Rainha da Melancolia impera novamente sobre seus vastos campos de cereja.
Eu odeio cerejas
Tanto o cheiro quanto o gosto.
O Rei da Indecisão Angustiada está de volta ao planeta das melodias mal feitas.
Ele está tentando fazer uma canção triste
Está soando hipocritamente feliz.
Os senhores da paz estão baixando silenciosamente na praça da repetição.
Eles são maus com as crianças
Estão jogando fora seus sonhos apodrecidos.
E Deus não está vendo nada
Ele pode pagar barato para ir até o céu.

Ninguém cuida de nada por aqui
São realmente uns irresponsáveis.

sexta-feira, maio 27, 2005

Até secar

Precisamos nos proteger da linda pele de cobra que nos envolve
Vamos entrar em uma lavanderia?
Não precisamos de ninguém para dizer quem somos
Precisamos é do Dia da Verdade
Precisamos secar.
Vamos entrar em uma lavanderia?
Eu tenho pena do bostinha
Me contaram quem mandou ele ser assim
Eu consigo ver o reflexo da pele de cobra
Posso ver o fim pra tudo isso
Tudo
Já acabou
Ainda não
E eu já tenho saudades
Eu já disse eu te amo hoje?
Para todos?
Vamos entrar em uma lavanderia?
Hoje. Até secar.
Nos vestimos de senhores
Senhora, senhorio
Pobres, mas não livres
Precisamos escrever
Precisamos filmar
Pele de cobra, sempre presente
Vamos entrar em uma lavanderia?
Hoje. Amanhã. O ano que vem
Até secar.

domingo, maio 22, 2005

Tchau

Não se preocupem.....
Hei de parar com tanta viadagem....

E apenas para a Thays ficar feliz e achar que acertou, vou repetir pela vigésima vez:
Ele não é meu paquera (palavra infame de novo)

E eu hei de parar com tamanha viadagem.....

quinta-feira, maio 05, 2005


Smashing Pumpkins....de novo......1979

Dureza 1979, garotos legais nunca têm vez
Num cabo elétrico bem encima da rua
Eu e você nos encontraremos
Besouros ricocheteiam como pedras
Com os faróis apontados pro amanhecer
Estávamos certos de que nunca veríamos um fim praquilo tudo

E eu nem me importo de me livrar desse uniforme azul
E nós não sabemos
Onde nossos ossos descansarão
Virarão pó, suponho
Esquecidos e absorvidos pela terra

Sacaneie os ociosos e entediados
Eles não tem certeza do que nós temos guardado
A Cidade-Morfina cobrando taxas até ver

Que nem nos importamos, incansáveis que nós somos
Sentimos a influência na terra das milhares de culpas
E do cimento derramado, lamentado e autorizado
Nos faróis e cidades da Terra
Mais rápido do que a velocidade do som
Mais rápido do que pensávamos que iríamos
Coberto pelo som da esperança

Justine nunca conheceu regras
Se Uniu aos Dementes e Doentios
Desculpas nem precisam ser pedidas, te conheço melhor do quevocê finge

Pra Notar, que nós nem nos importamos em nos livrar do uniforme azul
E nós não sabemos onde nossos ossos descansarão
Virarão pó, suponho
Esquecidos e absorvidos pela terra

A rua intensifica a importância de ecoar
Como dá pra ver não há ninguém por perto

quinta-feira, abril 28, 2005


Eu achava melhor você ir dormir, vá se cobrir, se proteja. Mas lembre-se, eu estou aqui te esperando se você quiser ficar um pouco feliz, vai custar apenas R$3,30, bem ali, R$3,30, o preço da felicidade.

Apenas R$ 3,30

E o dia continuava frio, o céu continuava cinza, a umidade ainda estava no ar.
A única diferença é que transpirar toda aquela tristeza de novo parecia cansativo e enfadonho, mais uma sessão lembrando o passado não seria legal.
Então, vamos lá, vamos comprar um pouco de felicidade com R$3,30, ela pode não ter um gosto muito bom no começo, mais sobe pra cabeça que é uma maravilha!
Eu nem ligo se você for, podemos quebrar nosso tempo de rispidez, porque afinal, bebida é bebida, adolescentes são adolescentes, e o tempo.... bem, ele que se foda.
Aliás, tudo fica mais fácil com um pouco de pira, tudo fica mais comunicativo, tudo flui que é uma beleza, nem parece que aconteceu alguma coisa.
Aliás, aconteceu? Hã? Como?
Lembra-se de todas as vezes em que agente estava junto? Menos daquelas em que agente ficou é claro, isso não se fala, aliás, você pode até lembrar daquele dia, é, aquele dia onde alguém caiu, ou aquele dia onde alguém disse alguma coisa engraçada, lembra daquele dia?
Mas é claro que eu lembro, naqueles dias a felicidade era mais barata, a inflação ainda não era tão alta, por isso éramos mais felizes.
É tudo culpa do governo, aliás, é tudo culpa dos EUA, a culpa é do governo e do sistema, a culpa é toda deles.
A culpa é do tempo. Ele que não demorou mais para passar, nem esperou agente ir ao banheiro e acabar de chorar. É, definitivamente alguém tem culpa do céu não estar tão claro hoje. Só porque agente é pequeno.
Então o que vamos fazer? Nós somos os conhecidos mais estranhos que já existiram, ou talvez os estranhos mais conhecidos do mundo, do universo, do paraíso e do inferno.
Não ligue então pra isso, eu te ajudo a pagar se você não tiver dinheiro, isso não é problema, nós sempre vamos acabar juntos mesmo.
E eu já disse que não deveria esperar você passar? Eu já disse que não me importo com o que você pensa a não ser que seja sobre mim? Eu já disse que tenho sorte de ter te conhecido? Eu vou tentar drenar você.
E nessa tarde tão fria, o que vamos fazer?
Ela não quer ir junto, e talvez nem eu queira que ela vá, preciso aprender a não ficar levando os outros para um lugar de onde eles tem dificuldade para voltar.
E então o que vamos fazer? Me ajude amigo, me ajude irmã, me ajude pai, vó?
Vamos comprar um pouco de felicidade instantânea?
Ela dura pouco, mais custa barato, nos dias de hoje, apenas R$3,30.

quarta-feira, abril 20, 2005


E foi aqui que eu cheguei
Não agüentando mais tanta choradeira
Acho que vou parar por aqui

Me arrastando dia após dia
Saco de ossos sem vida
E eles ainda conseguem doer

Essa nem sou eu
Eu não era assim
Vergonha
Eu não quero ser assim

Vou parar antes que piore
Por mais que você não acredite
Por mais que você ria de mim
Eu acho que vou parar por aqui Posted by Hello

domingo, abril 10, 2005

E você, deveria estar aqui?

Talvez eu nem devesse ter entrado.
Isso é apenas para me livrar de duas colheres de sentimentalismo, porque elas sim, não deveriam estar aqui.
Acho que vou cortar meu cabelo, ele me incomoda às vezes, não que eu ligue para isso, mas na terra dos farsantes sem inspiração metidos a poetas, isso seria original.

Foi quando eu acordei, e percebi que durante todo esse tempo, eu já estava acordada. Eu apenas estava fingindo que dormia, assim talvez não tivesse que pensar em todas essas coisas incomodativas que ocupam a mente, todas essas coisas inúteis, que se você tivesse poder sobre o seu cérebro, certamente escolheria não pensar nelas.

Eu fui andando, entre todas aquelas árvores gigantescas que pareciam não ter fim, pelo menos que eu conseguisse ver, e lá, bem no final do caminho, lá, no ponto mais distante onde meus olhos ainda podiam enxergar e distinguir alguma coisa, estava um bonequinho, um bonequinho sem roupas acenando para mim, em uma mão ele tinha um abridor de latas, e na outra, tinha meus dedos e meu fígado.

Então você diz: Uau, isso é que é saber fingir saber de alguma coisa, não é? Eu acho que vou matar meu cérebro e viver em paz. Ó cérebro idiota, idiota, dono das razões que não possuem razão nenhuma, sem pensar, só dormir. Depois de todos os braços já terem apodrecido e caído, eu continuo rindo.

Até mesmo o que não me contaram eu consigo inventar, meu cérebro trabalha muito bem em descobrir coisas que eu não sei nem nunca vou saber. Ele vai levando choque da cobra elétrica enrolada nele, vai dando pulos e se contorcendo, um pulo e vai direto pro hiper espaço, hiper atividade, hip hip hurra, vai voando bem pra longe, pra cima do céu.
Pontadinhas agudas. Espetos de agulha.

Vamos lá, vamos lá deuses malditos.
Vocês querem mesmo que eu me foda?

Dizer um monte de coisas sem dizer nada é minha especialidade, eu fiz o curso dos sem talento graduados na arte de fazer rir.

Lindo começo. Belo começo para o início do fim. Fluiu como todas as outras bostas que eu penso ter valor. Inteligência múltipla. É pra isso que serve, para você ficar patinando na lama, perdido em lugar nenhum, nunca ir pra frente, nem pra nenhuma direção, apesar de dizerem que existem várias.

Então é isso.
A pessoa mais perdida do mundo
Continua procurando um lugar perdido
Que dizem já ter sido encontrado
Para continuar dormindo
E fazendo nada
Eternamente
Embaixo do chão.

quarta-feira, abril 06, 2005


Cuidado, cuidado....
Ai ai a rispidez......tome cuidado com a rispidez.....
Será que ele nunca vai embora?
Nunca?
Eu acho que ele é mesmo a merda grudada no meu tênis
Sabe, como minha irmã me disse
As merdas entram nas valas da sola
E daí você tenta tirar com um pausinho
E o pausinho quebra.....
É uma merda
E a rispidez? A rispidez sempre aparece (detalhe com o dedinho)
Porque depois de entrar, ele sempre quer sair
Merdinha ríspida
É como dizia a sábia Adriele habitante de castro
Mais vale uma barriga cheia que uma tentativa de amor perfeito
Pra que ouvir piá falando merda?
Ou pra que ouvir merda falando bosta?
E ainda tem a rispidez, detalhe na rispidez, zoom na rispidez
Ai como eu amo a rispidez
Mas pode deixar, eu não vou dizer mais nada
Porque agora eu já tenho experiência em lidar com a rispidez
Agora está na hora de investir em novos negócios, explorar novos terrenos......
É só não deixar ninguém entrar
Eles que fiquem pedindo lá fora
Porque simplesmente ele não sabe ter menos rispidez
Seja menos ríspido, fazendo um favor.....
 Posted by Hello

terça-feira, março 29, 2005

O castelo que não fechava

Então todas as criancinhas na puberdade passaram no teste para poder entrar naquele grande castelo onde as portas não eram fechadas... diziam que lá era o paraíso.
Todas elas estavam radiantes e empolgadas, é impossível fugir da idiotice que assola todos os seres na maldita fase da adolescência.
Elas estavam lá para aprender, mais isso não importava, porque lá fora era muito mais interessante.
Então elas conheceram muitas pessoas legais, muitas mesmo, era o lugar com o maior número de gente estranha e diferente que elas já haviam visto.
Trataram logo de encontrar outras crianças com quem brincar, aquele parquinho era mesmo muito empolgante.
Então elas começaram a descer aquele enorme barranco que havia na frente delas, o final dele tinha algum nome que as crianças desconheciam, elas já tinham ouvido falar, mas não fazia muito sentido pra elas, era algo como.....adultos???.....amadurecimento???........... crescimento ......frustração.........destruição..............morte.................
Bem, não importava, agora elas tinham novos amigos geniais, os mais legais que elas já haviam encontrado, então elas decidiram começar a descer aquele barranco.
Na maior alegria, desciam correndo e gritando, pulando, todos juntos, alguns mais perto, alguns mais perto de maneiras diferentes, uns como irmãos, outros como bons amigos, e outros de uma maneira mais estranha, que eles ainda não entendiam direito, mais certamente era diferente da forma de como queriam os irmãos.....
Isso as vezes os deixava confusos, dava dor de estomago, uma sensação estranha, uma angústia estranha, uma empolgação fora do comum....
Alguns deram as mãos, alguns se abraçaram, outros corriam mais rápido mais tudo era muito divertido....
E foi então que as crianças começaram a cair.....correr rápido em um barranco não é uma coisa muito segura. E cada vez que elas caíam, se machucavam, e isso diminuía um pouco a alegria e a velocidade delas, mas elas continuavam correndo.
Aos poucos, os nódulos de crianças que estavam descendo o barranco foram mudando, uns por desgosto, outros porque lhes faziam cair e se machucar, outros porque não se suportavam mais.
Outras crianças apareciam às vezes do nada para tentar descer o barranco também, e traziam alegria porque elas eram legais.
Mas mesmo assim, as crianças continuaram caindo, e a velocidade e o entusiasmo delas foi diminuindo.
Elas mudaram, algumas se perderam no caminho, outras pegaram outra direção.
Junto com os machucados por terem caído, tudo isso entristecia as crianças, elas foram ficando cada vez mais sérias e cautelosas porque tinham medo de cair.
Algumas crianças estavam ficando muito tristes por ver que isso estava acontecendo, não era a mesma coisa pular e correr se não fosse todo mundo junto, mas como continuar a correr com alegria se você sabe que vai cair, se machucar e vai doer? Você já caiu, e doeu muito, mais muito mesmo.
Então todas as crianças foram diminuindo o entusiasmo e a velocidade, decidiram chegar ao fim do barranco, que estava próximo, andando. Era menos perigoso, e elas já estavam completamente raladas.
Algumas crianças ficaram chorando para que seus amigos voltassem a correr, mas já era tarde demais.
É tão triste quando você vê que todas as crianças que estavam ao seu lado pararam de correr e pular com medo de se machucar.
Viraram adultos.
Oh não, crescer é um saco.

domingo, março 13, 2005


Soro de birrência, barulho incomodativo, repetitivo, sem sentido, uma freqüência, apenas uma freqüência no calor, no calor suando, sem intervalo, sem intervalo para paz, monólogo megalomaníaco para decoração, sem trégua, grito, mando e reclamação, grito e suor, grito e cachorro trepando, cachorro brigando e chorando, quatro cachorros, maldito cheiro, gritando por tudo, nem aquela porra funciona, três horas da manhã, em casa no computador, sem diversão, sem diversão, e amanhã ninguém vai, só nós três no meio da gente sem perigo, eles não tem perigo, só vomito. E nós não precisamos da sua educação. Posted by Hello

sexta-feira, março 04, 2005

Canção dos Escoltados

Hoje, olhando o dia hoje
Está uma bosta
O pior dia que há de vir
É hoje e é uma bosta
Não estou mais conseguindo ficar dentro da jaula de aula
Nem quando me esforço para entrar
Ai, me dói tudo, da cabeça aos pés
Cabeça pesada, vontade de sono
Na floresta das bruxas é onde você pode cair
É onde eu sei ter medo
Porque eu sempre fujo de alguém
Sou um perigo adolescente
Correndo de um perigo extremamente pueril
Cadeia infantil, oh delinqüência juvenil
Ele foi escalar a montanha dos sonhos
Apenas porque tinha sido proibido
Ai, meu deus que fora da lei
Aquele garoto é um total desmoralizado, terrível
Olhe a menina, está quebrando os cacos
Está tentando quebrar mais forte pra ver se consegue consertar
Só por ser mais fácil, só porque é ao contrário
Ainda que venham dizer que não, eu vou dizer que sim
Sim, sim, sim,
Mamãe no altar, Papai trabalhando
Tudo de acordo com a santíssima trindade
O futuro planejado em um folhetim
Igreja Católica Protestante do Reino dos Céus de Jesus Espírita
Crente
....Adventista.....
E o que mais quer que eu queira
Agora sou eu que mando aqui
Então quando eu vi, ele já estava em cima de mim
E eu estava ali, sugando o câncer diretamente de sua boca
Algum deles me responda o que fazer
Nada mais a declarar, a não ser e o nada
Se isso for pecado, que se foda.

quarta-feira, janeiro 26, 2005


Não adianta o filho mal tentar competir com o filho bom. Filhos bons já ganham no útero um certificado de preferência, e os pais é claro, ganham a certeza de que pelo menos um de seus gozos vai render alguma coisa, algum deles vai ser algo na vida. Posted by Hello

O bebê que nunca tinha nascido

A verdade é que não cuidaram direito de mim desde que eu era pequena.
Sempre fiquei envolta nesse manto sombrio, nessa maldita hipocondria que assola meu ser desde que nasci.
Dentro de uma bolha eu sempre fui pra escola, mas nunca entendi o que os outros queriam dizer, o meu choro era mais alto.
Passei tardes cinzentas flutuando na minha tristeza, na minha solidão no meio de todas aquelas crianças correndo e gritando.
E eu treinei com todas elas, treinei duro, e no dia da apresentação cantava com toda a minha força como o professor havia mandado, eu me esforçava ao máximo, me esforçava para ninguém, para os pais dos outros me verem, para os pais dos outros se emocionarem, talvez eu pudesse fingir que aquele gordo hipertenso de camisa azul se esvaindo em lágrimas fosse meu pai. Não adiantou muito, eu não consigo enganar ninguém. Todo mundo abraçando o papai e eu voltando para o inferno sozinha de novo.
Mais choros cinzentos e eu treinava de novo, dessa vez era pra ser uma mágica. Todas as crianças felizes, gritando faziam a mágica e abraçavam a mamãe. Mas parece que de novo eu não tinha ninguém pra abraçar, nem eu, nem minha irmã.
Mas onde está a mãe de vocês?
Ela está no hospital.
Nossa! Ela está doente?
Não, ela trabalha lá, e nós morávamos lá, crescemos lá.
Sempre aquele cheiro infecto, aquele cheiro de doença, aquele cheiro de falta de banho. A macabra sala dos brinquedos onde eu nem tinha vontade de entrar, as criancinhas mortas usavam tudo, e os bebezinhos com agulhas na cabeça não podiam fazer nada. Sempre havia algum choro, nunca havia silêncio, era difícil de descansar na sala de espera pra lugar nenhum. Haviam crianças separadas, ninguém podia chegar perto delas, sua doença era perigosa demais.
E aquele garotinho que um dia tentou roubar minha mãe, já não bastava os malditos irmãozinhos, ainda vem esse coitado doente querendo uma parte dela também. Ali passei grande parte da minha infância, brincando em um hospital, brincando no jardim da doença, cantando com o desespero, fazendo bagunça no quarto da morte.
Mas não foi lá, no meu castelo apodrecido, foi fora dali que eu encontrei o rei da minha inspiração, o Deus do meu desejo, meu herói para sempre. Encontrei-o em um porão da minha escola, lá, escondido bem no fundo, como um segredo sujo, todas as crianças tratavam aquilo como um segredo, como se fosse algo perigoso, e com cautela perguntavam:
Ei, você já viu o bebê que nunca nasceu?
E todas iam correndo pra lá, cheias de curiosidade e excitação, e lá estava ele, em cima de uma prateleira, dentro de um pote de vidro, flutuando no álcool, alheio a todas aquelas criancinhas babando por ele, alheio a toda aquela inquietação, a toda aquela admiração...
Mas o que aconteceu com ele?
Ele morreu na barriga da mãe
É, ele morreu antes de nascer
Ele nunca nasceu, nunca, nunca...
Ele ficava ali, dormindo, quieto, e eu ficava ali, contemplando, observando meu sonho pueril, invejando o meu maior ídolo, porque tudo o que eu queria era ser igual a ele, igual, tudo que eu queria era trocar de lugar com o bebê que nunca tinha nascido.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Só dói quando eu engulo

Minha garganta dói
Dói muito
Só dói quando eu engulo
Só dói quando eu tento engolir minha saliva
Meu estomago dói
Minhas costas doem
Minha cabeça dói
Meu ouvido dói
Só dói quando eu engulo
Só dói quando eu respiro
Tudo dói
Meu peito dói
Dói fundo no meu pulmão
Uma dor ardida
Uma dor apertada
Só dói quando eu respiro
Respiro
Respiro
Não se esqueça de respirar
Dor apertada
Como se tudo fosse explodir
Como se tudo dentro de mim fosse explodir e voar
Como se tudo dentro de mim fosse amarrado por uma corda podre
Uma corda podre....é isso aí, bem, você sabe, cordas podres não
duram muito tempo.

sábado, janeiro 08, 2005


Ele era um bostinha. Nada nele era original, nada. Até seu nome era copiado de alguém, e o pior, não só de uma pessoa, mais de duas.
Pobrezinho daquele garoto, ele era tão.......tão.......leso.
Ele saía a noite, ia sozinho nas festas porque sabia que todas as pessoas que ele conhecia estariam lá, então ele passava a noite inteira procurando alguém em quem se grudar, como um carrapato.
Ele passava a noite inteira procurando amigos instantâneos, todos eles sabiam o nome dele, mas nunca se lembravam na hora de fazer alguma coisa legal.
Na verdade, ele fazia falta, se ele não estivesse ali, de quem eles ririam?
Sua existência era tão fútil quanto a de qualquer outro ser humano que habitasse a terra, e por isso, ele resolveu estabelecer um objetivo em sua vida: Ser mau!
Puxa, agora ele realmente era muito mau, até mandava as pessoas calarem a boca.
E não é que agora as pessoas prestavam mais atenção nele? Até diziam: Uau, você viu como o bostinha está malvadão? E depois disso, simplesmente o esqueciam se novo.
Mas dessa vez, ele queria mais, queria não ser esquecido, mas como? Sua existência já havia sido planejada para nunca ultrapassar seu próprio corpo.
Então ele pensou, pensou e pensou. Passaram-se semanas, meses, anos, e ele finalmente concluiu: Devo ser como alguém que acho legal!
Pronto, agora ele não causava mais perigo nenhum a ninguém, porque pela primeira vez, fez algo original em sua vida: não foi nem um pouquinho original. Pelo menos ele achava. Posted by Hello

quinta-feira, janeiro 06, 2005


Ah............adorável fim de ano
Posso me empanturrar de comida até ela sair pelos meus tímpanos
Desde o dia do natal eu estou soltando foguetes no meu guarda-roupa. Agora que o inferno do colégio está suspenso, posso passar os dias trancada no meu quarto, no meio de toda aquela tinta, no meio de tudo que eu produzi desde que eu estava no útero, toda aquela porcaria não pode ser chamada de arte.
Algumas de minhas obras me trazem muitos problemas, algumas delas estão manchadas com meu próprio sangue.
Trancada no meu quarto vejo meu diário aberto, narrando esse discurso indireto errado e imbecil que eu tento contar......
Dia 25 de dezembro, exatamente uma hora da tarde, onde estava? Chorando em uma fábrica abandonada.
O que vai ser da virada?
Todos os finais de ano tem o mesmo cheiro de bebida saindo do quarto do meu pai. A rua da frente já está banhada no rio de vinho que ele derramou. E eu ainda tenho que agüentar piadinhas sobre alcoolismo.
Hoje vou sair daqui, ah eu também vou beber com meus amigos, longe da maldita família, longe da tristeza da minha casa, mergulhada na melancolia da rua.
Eu costumava ser tão........eu costumava ser................nada.
Eu estou no caminho certo pra conseguir isso, eu posso cair e nunca mais voltar, mas e daí? Eu nunca quis nada mesmo. Hoje vou completar a juventude perdida e sem futuro.
Sabe, analisando tudo, eu acho que essa é a frase mais verdadeira que existe:
Poesia da adolescência, o gênero literário mais insuportável que existe.  Posted by Hello