domingo, agosto 14, 2005


Por alguma razão irracional, acabei por voltar aqui. Eu havia prometido que não ia mais fazer isso, não tem sentido, não tem. Mas como comecei, vou terminar

A Janela Secreta

Então o sol nasceu para queimar as últimas promessas de que tudo iria permanecer como havia sido prometido.

Ela iria apenas abrir mais uma porta, ela estava com medo de atravessar, mas acho que agora ela nem se importava mais.

Medo do que iria ser deixado para trás, mas.......

Até a pessoa mais ignorante do mundo sabe que nada dura para sempre, e que sempre, é realmente muito tempo.

Todos estavam zangados e desapontados? Sim, todos, e o que ela podia fazer?

Nada, a não ser admitir.

Todos ultimamente agem como prêmios roubados, e por vontade própria. Tudo culpa da chatice e falta de originalidade do anfitrião.

E sim, ultimamente descobrira que é por pura vontade mesmo, por que eles nem se importam. Na verdade eles já foram roubados há muito tempo, só não lhes foi permitido desaparecer.

Castelos não duram para sempre. Sua era de ouro já terminou.

Estão todos flutuando no nada, flutuando no mercúrio. Dentro de alguns meses os que sobraram já estarão muito longe para serem polidos. Vão tentar descobrir por si mesmos o poder de voar, e quando caírem, não vão sentir dor. Vão descobrir que suas asas foram cortadas há muito tempo, na era de ouro dos castelos, e que na verdade, eles nunca conseguiram sair do chão.

Mas não estou reclamando, não mesmo.

Talvez ela não deva guardar prêmios, nem esperar que eles sejam seus. Saber esperar menos é uma dádiva.

E ela realmente tem chances de estar em uma planície, e sem reclamar.

Basta abrir a janela secreta, que dá para o jardim secreto, que tão logo, não será mais tão secreto assim.

E agora ela realmente sabia o que sua amiga queria dizer com: Ver o Falecido Elfo se indo era como glicose.

Realmente, ver aquele bostinha que ela não conseguia arrancar de si mesma se indo, finalmente, era como glicose. Era como néctar. E o melhor, sem estar com raiva dele, apenas por ter certeza de que ele não iria mais incomodar durante aquelas longas horas que ela passava sozinha.

E ele bebeu de seu próprio néctar, que para ele parecia estar muito amargo. Isso tornou tudo para ela incrivelmente doce, afinal, ela é um ser humano, e não havia como não agir assim. Ele havia sentido aquele gosto amargo que ela tantas vezes teve de fingir não sentir, e isso, não tem preço.

E eles conversaram no final, como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse ficado em haver, por que afinal, aquilo tudo nunca havia existido oficialmente. Conversaram durante alguns segundos infinitos sobre coisas que não importavam, sobre coisas irrelevantes, e deram um beijinho de tchau.

Então todos foram embora sorrindo, até os prêmios, eles escolheram assim. Doía um pouco, mas o que ela podia fazer?

Ela realmente pode tentar estar em uma planície, sem reclamar, é só abrir a janela secreta.

E ela sabia que com o tempo, a morte de todos eles se tornaria um mistério, até mesmo para ela.

A Janela Secreta realmente me ajudou. Não pude deixar de ver, copiar e tentar tornar eterno, pelo menos na minha cabeça.