quarta-feira, outubro 26, 2005

Vazio muito cheio



Decidiram repensar a brincadeira.

Ela em um canto, ele no outro.
Cada um em um canto de uma sala.
Então eles começavam a atirar flores mortas um na direção do outro na esperança de conseguir atingir algo pelo menos perto do coração.

Eles sabiam o nome um do outro, se conheciam.
Ele conhecia cada parte do corpo dela, ela conhecia cada parte do corpo dele.
Mas ainda assim parecia que faltava alguma coisa. Eles eram completos estranhos quando suas bocas ficavam livres.
Passavam tardes e tardes meio atordoados pelo efeito do líquido que era produzido quando os dois estavam juntos.

Mandavam bilhetinhos, trocavam mensagens e cartas, mesmo assim não se sentiam perto o bastante.
Havia um bonequinho intermediário, ela depositava todos os pensamentos dentro dele, depois ele tentava ouvir, mas o brinquedo confundia tudo.

A timidez dela era o câncer dele.

Então o tempo foi passando, as flores mortas, o líquido, o bonequinho, as mensagens, tudo isso foi criando uma sensação familiar, uma coisa a que os dois já estavam acostumados.

Ele não podia viver sem o vazio dela, ela não podia viver sem o vazio dele.
Ele não podia viver sem o cheiro dela, ela não podia viver sem o cheiro dele.
Ou o cheiro das flores, eles não sabiam mais, não sabiam diferenciar.

Então ele morreu, assim do nada, ele simplesmente morreu, se foi, morreu.

Ela nunca se sentiu tão vazia, pois agora não havia mais o vazio dele para preencher o seu.
Então ela ficou ali, parada, no canto da sala, esperando, catatônica, esperando que um dia as flores mortas voltassem a ser atiradas, esperando que algum dia algum vazio viesse preencher o seu.

Mas nenhum vazio nunca veio, e ela ficou a esperar para sempre.

E ele morto, batendo do lado de fora do coração dela para poder entrar, mas ela não ouvia, não percebia, estava apenas esperando um vazio que já não estivesse tão cheio.

Ela esperando, ele batendo, ela não ouvindo, ele gritando, ela esperando, ele batendo.

Morto, ele batendo completamente morto. Dentro do coração dela.

Silêncio.

E o que aconteceu?

Acho que não aconteceu nada.

Ele morreu.

terça-feira, outubro 25, 2005

My Monster

Doces, doces, doces, doces.....

HUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHU
DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES DOCES
NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA
HORÓSCOPO HORÓSCOPO HORÓSCOPO
UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL UOL
CHOCOOKIES CHOCOOKIES CHOCOOKIES CHOCOOKIES
AMERICANAS AMERICANAS AMERICANAS AMERICANAS

AS SEXTAS FEIRAS DE NOSSAS VIDAS

1979

Lucy in the Sky with Diamonds

DOCES DOCES DOCES, OS DOCES, MEUS DOCES, DO MEU DOCE
DO MEU VASO DOCES DOCES DO MEU DOCE DOCES DOCES
NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA NA PRIMAVERA

FALTA DE INSULINA

DOCES

NA PRIMAVERA

NO PONTO

UHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHUHU

NINGUÉM SE MATE

PORQUE EU GOSTO DE VOCÊS

DOCES DOCES MEU DOCE DOCE TÃO DOCE DOCES DOCES DOCES

Primavera torta

As crianças hoje em dia já bebem, fumam e ouvem rock and roll, urouuu

As crianças hoje em dia já ficam, fazem rodízios e estouram camisinhas, uiui


Veja só como eu sou um ursinho fofinho meu garotinho

C’mon girl, touch my body


As crianças hoje em dia são ultra radicais, descoladas e modernosas, hihi &;-)

E claro que com um pouco de imaturidade disfarçada de boa vontade, hoje em dia tudo pode ser resolvido como se fossemos crianças!

E eu juro que eu não tenho uma arma....

Nós já moramos na terra do nunca......




E a primavera chegou meio tortuosa esse ano
Meio poli cistica
Mas está dando seus frutos....




........ um novelo de lã gigante e impossível de se desenrolar....e que há tantas coisas......tantas.......

........basicamente se você parasse de se preocupar e pirar com tudo isso, se você parasse de pensar a mil por hora, você estaria em paz.......

........mas agora.....acho que de uma certa maneira meu cérebro dormiu....e não estou gostando disso.... quero que ele volte....ou pelo menos morra de uma vez, porque ultimamente, ele só parece uma tv fora do ar.........


Os cacos do copo de ontem ainda estão aqui
E ninguém se digna a juntar
Quantos porcos


Mas o vaso era tão bonito que ela tinha muito medo de quebrar
Era tão bonito, inocente e feliz
Era perfeito
Tão feliz que chegava a lhe dar raiva
Tão bonito, inocente e feliz
Que chegava a lhe dar medo
Ela sabia que ia sujar
Ela sabia que ia estragar
Ela sabia que ia quebrar
Ela tentou não tocar
Mas tocou
Pegou
Tornou seu
Questão de tempo
Ela sempre estragou tudo
Demônio da aparente perfeição



Obrigada Rebeca
Acho que me achei
Sou uma criança nordestina
Pestiada e com fome.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Olha o menino

Olha o menininho correndo entre os túmulos
Olha o menino
Será que ele é cabaço?
Será?
Ele corre corre e não sai
Será que ele é cabaço?
Será?
Olha a Rone chegando
Será que ele é inteiro?
Será?
Olha a bolha

Anjinho anjinho
Por favor não me deixe sozinho
Eu sei que no fundo
Eu sou só mais um fodido

Olha o menino
Será que ele é cabaço?
Será?
Será que ele sabe?
Será?

Ah, sei lá.......as vezes né........vai que, vai que....
Vai que numa dessas o menino ainda sai andandinho....



Estou varrendo, estou varrendo......


Não podia deixar de ser, um pouco de Polaco:

Não podia deixar de ser, um pouco de polaco:

...Dói quando você tem que apertar essa coisinha estúpida
Que você tem que usar apenas uma vez e jogar fora
Onde você coloca? Na lata de lixo, meu caro amigo
Minha timidez afoga o escorrimento dela...

... Uma refeição por dia é uma refeição
E meu coração fez a minha...

... Alguém já usou a palavra aurora boreal
Ela estava atada com correntes e Sam deu uma ajuda no freezer

Ela está apenas cinco semanas atrasada, mas eu nunca consegui ter um encontro
Nunca! Nunca! Nunca!

Se eu tivesse mais... mais oportunidades
Mais chances de lembrar umas coisas
Assim eu não teria tanta pressão sobre minha...
Sobre minha... sobre minha, hã...ah, sobre minha... hã... hã... cabeça

Teríamos muito mais diversidade
E muito mais consistência, muito mais fluxo criativo
Se tivéssemos alguém na escola, um GIT

Geeks in town

......

... Você é pessoalmente responsável por
Varrer do mapa, a avenida inteira
Lavada... como se galões de álcool propílico
Fossem derramados pela avenida e pegassem fogo

Não apenas chumuscou o cabelo, mas deixou-o liso
E então Perry Ellis chegou com sua vassoura
E sua seda... seda...
E ele... ele ergueu uma bela cidade...
Uma cidade de astros